Eu tenho uma teoria: a do branco

Eu tenho uma teoria: a do branco

Faz dias que tento escrever alguma coisa, mas é tudo em vão. Abro o caderno ou o Word e nada sai; tirei o mp3 dos ouvidos para poder ouvir ou perceber nas pessoas algo interessante com a qual eu possa dividir com você; passo um bom tempo deixando o vento me descabelar enquanto penso e penso... Nada.

De repente mil idéias surgem, chego em casa animada, estalo os dedos, me ponho a digitar e, quando percebo, as letras “m”, “n” e “o” não estão em seus devidos lugares. Algumas palavras estão unidas, se recusando a se separar mesmo que eu espaque a barra de espaço. Ótimo — o teclado foi para o beleléu.

Mais uma vez me vejo desesperada, mas não vencida. Fiz vários esboços mentais de textos que alguma hora me poria a passar para o Blog — textos estes que iam de reflexões sobre comerciais da TV Globo que me deixam “deprimida” até o vexame que o ‘ex-capa-da-Caras-e-atual-capa-da-Quem-e-afins’ está passando e que já passou do ridículo. Foi aí que bolei minha teoria:

Dia desses, nos pensamentos que antecedem o 'cair no sono', percebi, finalmente, que não ter o que escrever é, na realidade, ter inúmeras coisas a se dizer e não saber se decidir sobre qual será o texto da vez.

Exemplificando de outra forma: recorte aquela roda das cores (das aulas de Física) com a qual Newton provou que a cor branca se forma a partir da presença de todas as cores e, agora, cole da seguinte maneira:

(Clique na figura para melhor vizualização) Ao girar esta roda, todos os assuntos se embaralham e não se tem nada para falar sobre. Se cada assunto fosse uma cor, daria branco.

Logo, a expressão ‘deu branco’ não é exatamente um vazio mental momentâneo e, sim, várias informações juntas tentando ganhar espaço ao mesmo tempo, gerando um engarrafamento intelectual.

Capisci? Comentários a fim de aperfeiçoar a idéia (ou apenas para opinar) serão muito bem vindos. Obrigada.


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

Um ano, cara!

Um ano, cara!

Olha, certo dia, minha ex-professora de Português (Glorinha) pediu para que fizéssemos uma narração — era um exercício para casa. Assim o fiz e entreguei. Na aula seguinte, ela não apenas leu minha história de três páginas, como fez comentários extensos sobre o mesmo. A partir daquele dia descobri que tinha um talento — ela me convenceu disso. Logo... Bem, você pode culpá-la ou parabenizá-la. Eu, particularmente, agradeço. Não sei se estaria aqui comemorando um ano de blog se não fosse por ela.

Este não foi o primeiro blog que tive. Na realidade, tive tantos que não lembro do endereço ou nome de cada um, só sei que a maioria não sobreviveu por mais de três ou quatro meses. Quando o movimento dos blogueiros veio à tona, as pessoas levaram o nome “diário virtual” a sério demais e o que se lia era apenas um festival de blogs à la Seu Creysson e de Rebeldes sem Calça; o lema “Sou melhor do que as pessoas pensam, pior do que elas imaginam; críticas não me abalam; elogios não me iludem, sou o que sou e não o que falam; vivo o presente, penso no futuro e dane-se o passado!” era usado exaustivamente por meio de glitters rosas piscando. Por não ser popular e não ter uma vida badalada, abandonei a escrita e passei a me ocupar com o HTML para fazer templates.

O Algo do Tipo nasceu muito tempo depois dessa época, mais precisamente quando percebi que não podia continuar a escrever trechos em pedaços de papéis que logo se perdiam; além disso, a minha memória já estava ficando cheia de idéias que nunca eram passadas para o papel; foi aí que um blog para abrigar todo meu lixo mental se fez necessário — e daí a história do nome: como não sabia como definir o que viria pela frente, usei uma fala muito costumeira na minha vida ao contar um causo: algo do tipo.

Não sei como exatamente eu comecei a passar o endereço para as pessoas ‘darem uma olhada’. O que sei é que a primeira a comentar foi a Ana Rita, de São Paulo — talvez, no aniversário de segundo ano, eu faça uma entrevista com ela perguntando como foi ter acessado o blog pela primeira vez. A segunda coisa que também sei é que não pensava que teria um público fixo, aliás, nem pensava que fosse ter um público. A verdade é que não esperava nem que minha mãe fosse ler alguma coisa escrita aqui. Por isso, a cada um que aqui entrou, comentou ou leu (principalmente), muito obrigada. Cada um dos comentários deixados aqui ou no meu scrapbook, e-mail ou MSN colaboraram em muito para que não deixasse de escrever. Então... Bem, você pode se culpar ou se parabenizar. Eu, ao menos, digo: muito obrigada e rumo ao 2º ano!

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

A Velha e o Galo

A Velha e o Galo.

Não sei o que as pessoas vêem em mim. Não sei mesmo. Dia desses, no mercado, enquanto enfrentava uma fila infinita para pesar alguma coisa, uma mulher chegou ao meu lado quase me atropelando e disse em um tom quase desesperado:

— Eu queria galo, mas só tem galinha! Você sabe onde tem galo? O moço disse que não tem mais nada!

Tive medo, sério. E mal tive tempo de responder, ela me fez cambalear quando saiu em direção ao balcão de frios. De certa forma me senti agradecida, o que eu falaria para aquela mulher atônita por causa de um galo? Então continuei naquela fila, abrindo espaço para um e outro que resolveu passar por onde eu estava mal pedindo licença. Mais uma vez pergunto: o que esse povo vê em mim? Só sei que só tinham duas pessoas na minha frente quando a fita da máquina resolveu acabar. Rolei os olhos. Olhei para os lados, bati com o pé diversas vezes contra o chão um tanto impaciente, talvez até irritando outra pessoa, quando vi a tal mulher vindo na minha direção outra vez. Rapidamente olhei para um lugar qualquer, tentando disfarçar. De nada adiantou. Meu perfume Gardenal nº 100 estava forte, a senhora se sentiu atraída e logo se postou perto do meu ombro, anunciando sua presença. Quando a olhei, notei que carregava uma embalagem feia, feia, feia de um congelado qualquer.

— Achei um frango — ela me contou, mostrando a embalagem —, o moço disse que não tinha mais galos, só galinhas, mas achei um frango!

— Ele mentiu para você, então — falei, mas duvido que ela tenha me ouvido. A mulher parecia mesmo transtornada com a história de galos, galinhas e frangos.

O olhar dela estava totalmente perdido entre as pessoas presentes enquanto murmurava sobre a conquista de ter achado um frango no meio de tantas galinhas e de ter provado para si que ela era capaz de encontrá-lo. Até que parou de súbito.

— Frango e galo é a mesma coisa?

Não sei se a pergunta foi direcionada para alguém em particular, ela parecia mesmo estar com os olhos focados em algo que ninguém mais via. Olhei para o moço que pesava as coisas e ele riu antes de falar com a Doida do Galo — como mais tarde a batizei.

— O galo acabou, senhora, mas deixe eu pesar isso pra você.

Ele então pesou e devolveu a sacola para ela que foi embora feliz — ou, vai saber, indignada pela falta de galos.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

Algo do tipo.

Semana passada, realizei um sonho de uma romântica escritora que a tudo romantiza: fui a um antiquário aqui perto e comprei uma máquina de escrever. Escolhi a mais capenga e o vendedor pareceu feliz em despachar logo aquele caco velho quando a envolveu num jornal (?), colocou dentro de várias grandes sacolas forradas por outras grandes sacolas e me entregou. Ia perguntar sobre garantia, mas achei que seria perda de tempo. Minha coluna meio torta e o suor brotando debaixo do meu cabelo, carreguei-a pela rua. Ô coisinha pesada, viu? Passei na papelaria para comprar tinta e papéis e canetas, várias delas. Disse à moça do balcão que não precisava de outra sacola. Segui adiante. Na esquina de casa uma padaria. Parei. Comprei um maço de “Um raro prazer”, pó de café, refrigerante, vodka e biscoitos. Dessa vez dividi o peso. Segui. A próxima e última parada seria apenas em casa.

Peguei minha máquina de escrever, capenga, tão velha quanto eu, e coloquei em cima da mesa de madeira. Ajeitei-a de modo imperfeito. Demorou um pouco até que eu pudesse atingir o torto-sutil perfeito, que era minha meta. Fui na cozinha e comecei a preparar o café. Enquanto ficava pronto, fui cuidar do resto. Peguei copos de geléia e extratos de tomate, acendi vários cigarros e os deixei queimando para que as cinzas caíssem dentro dos copos. Abri os blocos de papel, coloquei um ou outro na máquina e comecei a digitar coisas incoerentes, como esse texto. E daí tirava furiosamente a folha e fazia bolas de papel que jogava por ali; alguns na cesta de lixo, outros não. Fiz isso várias e várias vezes. Abri a garrafa de vodka e a empurrei com a ponta do dedo, propositalmente. O líquido escorreu pela madeira por uns segundos, quase um minuto — parece pouco, mas foi quase a garrafa inteira, filho — e depois fui lá, coloquei a garrafa em pé e coloquei folhas de papel por cima. A essa altura os cigarros eram apenas cinzas, amassei as guimbas contra o vidro e em seguida as deixei deitadas no fundo do copo. Achei que não era suficiente, definitivamente um maço não era o bastante.

Peguei o elevador e comecei a bater nas portas. “Oi, você é fumante? Não? Desculpe.”; “Oi, você é fumante? É? Você pode me dar caixas vazias? Espero sim, obrigado.” Quando achei que vários olhares confusos e que uma semana de comentários sobre minha pessoa já era bom, voltei ao meu apartamento com mais ou menos seis maços vazios. Coloquei dois em cima da mesa, mais três dentro do cesto e o resto no chão. Parecia bom. Voltei minha atenção para o café que não beberia. Peguei várias pequenas xícaras dentro do armário e dois pratos grandes. Espalhei farelo em um dos pratos, tive que esfregar um biscoito no outro para ter o maior número de farelo possível. Daí peguei o outro prato e coloquei por cima — nesse eu coloquei os biscoitos meio inteiros, meio defeituosos. Espalhei um pouco de farelo pela mesa também. Peguei a jarra de café e comecei a dividir o conteúdo entre as xícaras. Deixei-as lá, descansando, por uma hora ou um pouco mais. Derramei um pouco de café nos pratinhos, deixando-os meio manchados. Derramei também em cima da mesa e em alguns papéis. O cheiro da bebida impregnou o recinto.

Corri pela casa. Espalhei livros novos, livros antigos, dicionários de línguas que nem falava por tudo que era canto, principalmente na mesa e em volta dela. Fiz uma pequena pilha ao lado do sofá com um dos copo-cinzeros (?) para fazer companhia. Coloquei copo-cinzeros no banheiro também. Eu sei que é estranho. Espalhei jornais e discos de vinil também. Dei uma olhada e parecia bom. Só faltava mesmo uma coisa. Peguei mais copos de extrato de tomate e os virei de cabeça para baixo, deixando a base para cima. Acendi velas e as prendi no fundo dos copos. Deixei-as queimar por um bom tempo, algumas chegaram a ficar pela metade antes de apagá-las. As espalhei por lugares estratégicos. Coloquei duas na mesa, perto da máquina de escrever.

No final, peguei um copo de refrigerante e comi um biscoito enquanto contemplava o que tinha feito com meu apartamento. Pronto. Agora convenço qualquer um de que aqui mora uma escritora.

Qualquer um, menos eu.


Rebecca Albino
FEV/08


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

Dos 18.

Dos 18.

Desde que criei este blog, venho postando quase que religiosamente todos os meses. Em alguns, posto logo nos primeiros dias; em outros, posto no limite do meu tempo, quase levando um tombo no pequeno espaço entre um mês e outro. O que me incomoda é o fato de não ter nenhum texto no mês de Julho. Então, numa noite calorenta dessas, enquanto fitava o teto do meu quarto, esbocei um texto na minha mente e dormi.

Em Julho aconteceram eventos importantes, o que me surpreende (adoro essa palavra, adoro a repetição da letra “e” nela, mas enfim...) ainda mais o fato de não ter escrito uma única linha. Por exemplo, tive férias em Julho! Nos últimos dias que antecedem o término das aulas, costumava entrar no segundo tempo e depois só ia lá marcar um X na letra “a” ou “d”, algumas “c” e outras, mas poucas vezes, na “b”.¹

Também foi em Julho (05/07, meu aniversário) a Season Finale da sétima temporada de C.S.I. pela TV a Cabo no Brasil — eu assisto com paridade pela CBS, baixando os episódios pela Internet. Mas isso é feio, muito feio! Reparou que todas as pessoas públicas só viram Tropa de Elite quando estreou no cinema? Fascinante essas pessoas!

E, claro, como deixei escapar acima, foi meu aniversário! Não vou dizer “finalmente, 18 anos” porque não vejo “finalmente” nenhum, não foi algo que eu esperava ansiosamente. E acho que, de certa forma, poucas pessoas hoje em dia esperam, imagino até que algumas queiram evitar a inevitável chegada dos 18.

A maioria das coisas que, teoricamente, só podem ser feitas aos 18 anos, geralmente é feita bem antes, o que corta qualquer ansiedade e sensação de “liberdade” que “os 18 anos” costumava oferecer, exemplo: beber e comprar bebidas; fumar e comprar cigarros; ir para boates; viajar sozinho; dirigir; namoro e sexo, etc.

[O “crescer” se perdeu, salvo apenas por alguns. As crianças e jovens em geral se atiram na busca da vida adulta rápido demais, não há mais tanta evolução; há mais um conjunto de fórmulas prontas que seguem cegamente, crendo que é gente. Já outros jovens são atirados na vida adulta precocemente, por diversos motivos.

Algumas meninas e alguns meninos não têm mais a aparência de serem meninas e meninos. Eles envelhecem, murcham ou se exibem excessivamente, se oferecendo sem nem saber que está e quando se dá conta, se é que se dão conta, já é muito tarde e não tem mais como voltar atrás. Perdeu-se.]

A parte mais comum de todos os aniversários é quando as pessoas te cumprimentam, “parabéns” pra lá, “feliz aniversário” para cá e por aí vai. Nos 18 anos a coisa é um pouco diferente. Parece que todos dizem a mesma coisa:

— Ihh, agora pode ser presa, hein!

— Eu tenho cara de trombadinha, por acaso?

É uma resposta meio mal humorada, eu sei, mas se você parar para pensar não faz sentido nenhum alguém te alertar sobre sistemas penitenciários, a não ser que sejas um pivete. Sem dizer que todo mundo dizendo a mesma coisa é um saco. Será que não têm outra piadinha mais infame?

Quem vos fala faz parte do grupo de precoces que fizeram a maior parte das coisas teoricamente proibidas para menores ainda sendo menor: já dirigi, já bebi e sempre tive Orkut. Pouca coisa mudou desde que fiz 18 — a não ser que agora posso falar: “quer ver minha identidade?” quando olham, desconfiados, para minha cara de criança quando quero comprar algo. Cresci numa casa onde ainda se diz que sem dinheiro próprio, não há liberdade. E com dinheiro próprio, mas ainda morando com mãe, também não há liberdade. Como estou dentro dessas condições, logo não tenho liberdade.


Rebecca Albino

05/01/2008


¹ N.A.: marcar “b” é elegante, “c” sempre parece a certa, quase ninguém coloca a resposta certa na “a” para não parece repentino demais e a “d” é atraente, pois o professor fez você ler aquilo tudo para a resposta estar lá no final. Não é a toa que eu faço prova de trás pra frente — a não ser pelo cabeçalho, claro.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

Então é Natal...

Então é Natal...

É desnecessário falar que o Natal é umas das festas mais importantes para a humanidade (ou grande parte dela). Afinal, é o dia em encontramos com a família e/ou amigos, temos a ceia (ou não), nos divertimos (ou não), alguns ganham presentes, outros vão à Missa; uns sabem que é uma festa cristã e é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo, outros não. A introdução foi desnecessária, mas, entenda, eu preciso encher isso aqui com linhas escritas.

É impossível ser cem por cento “anti-natal”, pois se você parar para pensar não há como fugir e se tentar, passará a ser considerado a escória da sociedade (como assim alguém não deseja, mesmo entre os dentes, um “feliz natal”?). É fato, minha gente! Não há como ignorar o clima que os papai noéis, gorros vermelhos e músicas bonitinhas trazem. É uma data tão importante que até o Guanabara fecha durante todo o dia do feriado!¹

É a época dos especiais na televisão (momento: minha televisão permaneceu desligada demais ou não passou “Esqueceram de mim” ou “Esqueceram de mim: perdido em Nova York”?! Deus, é um clássico!) e das mensagens de impacto. Jornais e programas mostram crianças recebendo presente de pessoas, famosas ou não, felizes da vida. É a época do bom velhinho de shopping, tirando fotos caríssimas com meninos e meninas no colo. É tempo também de amigo oculto e confraternização com pessoas que durante todo o ano lhe é totalmente indiferente. Mas sabe como é esse clima natalino, né?

Ô épocazinha estressante também!

Se criança carente pede dinheiro durante todo o ano, imagina nessa época? Sendo que agora todo mundo fica de coração partido se não der pelo menos um real.

O trânsito fica mais infernal do que o costume, todos querem ir para o mesmo lugar.

Os ônibus ficam lotados de gente e bolsas enormes.

Praça de alimentação é uma massa de cabeças e só isso.

A loja tem que ser MUITO cara para estar transitável. Depois reclamam de falta de dinheiro!

Criança esperneando.

Presente de amigo oculto até R$ 10, neutro. Eu, pelo menos, defendo a idéia de que não existe presente neutro, ainda mais custando R$ 10.

No mercado as pessoas se reproduzem, e você sempre se esquece de comprar alguma coisa, o que gera a necessidade de voltar lá e enfrentar tudo de novo. Sério, todas as vezes que acontece isso comigo (não são poucas), eu vejo novas pessoas e o lugar está sempre lotado. SEMPRE.

É impressão minha ou há uma quantidade fora do normal de pessoas meio... doidas, por assim dizer, andando pelas ruas nessa época?

Gente + verão + liquidação. Desnecessário falar o resultado.

Fora qualquer coisa e, mesmo estando um pouco atrasada, FELIZ NATAL!

_____________________________
¹ Guanaraba é um super-mercado que nunca fecha! Sim, é exagero, mas só vi respeito total a dois feriados: Dia do Comércio e o Natal. Costumo falar que, se nada der certo, além de escritora, vou abrir uma filial do Guanabara.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS

Os filmes da minha vida

Os filmes da minha vida

Gosto de filmes e de ir ao cinema. Gosto de seriados também e embora estes últimos passem na televisão, não venho suportando-a nesses últimos tempos. A não ser, é claro, que esteja passando algum filme ou seriado decente.

Posso falar da minha vida sob diversos aspectos, relacionando-a a, talvez, qualquer coisa — esportes, manias, cores, comida, amigos, lugares. Dessa vez, escolhi os filmes para traçar um paralelo.

Costumávamos (meus amigos e eu) nos encontrar depois da escola (sempre às duas da tarde) em algum lugar (geralmente minha casa ou a casa dos gêmeos) para fazer alguma coisa (sempre assistir alguma coisa, melhor dizendo). Compartilhamos muitos momentos desses nos quais escolhíamos filmes bizarros ou não, fazíamos pipoca, comprávamos refrigerante e nos apertávamos no sofá em frente à tevê. Depois, às vezes, tinha brigadeiro que comíamos no prato, espalhados na varanda.

Era comum assistirmos filmes com ‘temas adultos’, como dizem. Ríamos sem fim e no dia seguinte espalhávamos as piadas aos sussurros para outros colegas. Talvez os mais comentados tenham sido “Tudo para ficar com ele” (assistido a exaustão) e “O Diário de Bridget Jones” (que também é um livro maravilhoso e cheio de piadas para serem espalhadas aos sussurros).

Não sei, mas devíamos ter algum estilo para ver filmes, pois não me lembro de ter, mesmo na época, achado a menor graça em, por exemplo, American Pie — talvez porque esse tenha sido um filme feito para adolescente achar graça. Sim, víamos filmes adolescentes mas acho, pelo menos era meu caso, que depois de termos visto tantos de ‘tema adulto’, os teens se tornaram bobos e sem graça. Desta classe um dos poucos que salvam é “Meninas Malvadas”.

Que minha mãe não venha a ler isto, mas já cheguei a quase matar aula ¹ do curso de Espanhol apenas pelo prazer de ver filme e beber refrigerante. Este era “O Massacre da Serra Elétrica” (a nova versão). Toda hora dizia: “Vou embora!”, mas meus olhos não desgrudavam da tela e eu não conseguia me levantar do sofá. Isso era um problema freqüente. Acho que nesse dia só assisti aos 10 minutos finais daquela aula, “Com licença, professora, eu sei que estou um pouco atrasada, mas tive que fazer um trabalho, fiquei até tarde em Friburgo, enfim... Perdi alguma coisa importante?”. Posso ser uma boa atriz e bem convincente (lê-se “cara de pau”), quando quero.

Não se pode duvidar que “a arte imita a vida” mas, sem dúvida, a vida também imita a arte e dessa eterna imitação não se sabe se há um original. Fumar pós sexo é uma cena clássica — de onde isso foi tirado? Beijar na chuva e, depois do Homem Aranha, beijar de cabeça pra baixo debaixo da chuva (deve ser ruim para quem fica com as narinas expostas à água, mas tudo bem), dançar na chuva, cantar na chuva, cantar “I love you, baby...” nas arquibancadas, imaginar a própria vida em um musical, rezar para um dia topar com um cego que te convide a dançar tango, imitar o John Travolta dançando, sair correndo por uma rua cheia de noivas atrás, ou sair correndo pelo Louvre, abrir o sobretudo e exibir as várias armas juntas ao corpo, lançar frases de impacto, etc. Uma coisa é fato: todos querem fazer parte de alguma cena.


Rebecca Albino
28/nov/2007


¹ quase matar aula pode ser estranho, mas é o seguinte: chegar muito atrasada (o) em algum lugar e culpar, sei lá, o trânsito, a sua mãe, o despertador que não tocou, etc. Funciona muito se você for a(o) queridinha(o) da(o) professor(a) ou o (a) Nerd da turma. Era meu caso.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Twitter
  • RSS