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Como todos

Era uma vez um sujeito que, de muitas idéias que tinha, um dia resolveu se reinventar. Pegou uma parte dali, outra de lá. Disse que não mais ia ficar quieto esperando que os outros o percebesse — a partir daquela data seria diferente. Falaria com todos, os cumprimentaria e se alguém estranhasse, não se importava. Sua nova personalidade realmente não ligava para que os outros pensavam.

Até que um dia percebeu que não conseguiria ser desse jeito. Não conseguia disfarçar a dor que dava no peito quando o olhavam e riam, debochando. Pois, então, ele seria diferente.

E mais uma vez tentou...

Só se vestia de preto, fumava cigarros (sempre engasgando com a fumaça), um atrás do outro, mal falava (os fones nos ouvidos não lhe permitiam que a voz alheia lhe alcançasse). Passou a dormir na escola e impressionava quando tirava notas altas.

Mas logo se cansou. Se viu solitário, já que não falava com ninguém. Se sentia sujo enganando as pessoas quando dizia que não estudava em casa. Cuspia sempre que terminava de fumar.

Precisava mudar...

Até que lhe veio uma luz: resolveu ser ator. A cada dia uma nova personalidade. Nunca se cansava, as coisas nunca caiam na rotina. Um dia era pobre, apaixonado por uma rica; noutro, era rico e mau. Nunca chegou a ser galã, mas era sempre desejado, sempre concorrido, sempre o centro da história.

Até que um dia os holofotes o cegou, precisava fugir, precisava ser normal outra vez.

A partir daquele dia, ele começou a trabalhar (como todos), a ter amigos (como todos), a ver o final da novela como todos, a não sair por falta de dinheiro (como todos), a reclamar do governo (como todos), a... enfim, viver como todos.

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Um ano, cara!

Um ano, cara!

Olha, certo dia, minha ex-professora de Português (Glorinha) pediu para que fizéssemos uma narração — era um exercício para casa. Assim o fiz e entreguei. Na aula seguinte, ela não apenas leu minha história de três páginas, como fez comentários extensos sobre o mesmo. A partir daquele dia descobri que tinha um talento — ela me convenceu disso. Logo... Bem, você pode culpá-la ou parabenizá-la. Eu, particularmente, agradeço. Não sei se estaria aqui comemorando um ano de blog se não fosse por ela.

Este não foi o primeiro blog que tive. Na realidade, tive tantos que não lembro do endereço ou nome de cada um, só sei que a maioria não sobreviveu por mais de três ou quatro meses. Quando o movimento dos blogueiros veio à tona, as pessoas levaram o nome “diário virtual” a sério demais e o que se lia era apenas um festival de blogs à la Seu Creysson e de Rebeldes sem Calça; o lema “Sou melhor do que as pessoas pensam, pior do que elas imaginam; críticas não me abalam; elogios não me iludem, sou o que sou e não o que falam; vivo o presente, penso no futuro e dane-se o passado!” era usado exaustivamente por meio de glitters rosas piscando. Por não ser popular e não ter uma vida badalada, abandonei a escrita e passei a me ocupar com o HTML para fazer templates.

O Algo do Tipo nasceu muito tempo depois dessa época, mais precisamente quando percebi que não podia continuar a escrever trechos em pedaços de papéis que logo se perdiam; além disso, a minha memória já estava ficando cheia de idéias que nunca eram passadas para o papel; foi aí que um blog para abrigar todo meu lixo mental se fez necessário — e daí a história do nome: como não sabia como definir o que viria pela frente, usei uma fala muito costumeira na minha vida ao contar um causo: algo do tipo.

Não sei como exatamente eu comecei a passar o endereço para as pessoas ‘darem uma olhada’. O que sei é que a primeira a comentar foi a Ana Rita, de São Paulo — talvez, no aniversário de segundo ano, eu faça uma entrevista com ela perguntando como foi ter acessado o blog pela primeira vez. A segunda coisa que também sei é que não pensava que teria um público fixo, aliás, nem pensava que fosse ter um público. A verdade é que não esperava nem que minha mãe fosse ler alguma coisa escrita aqui. Por isso, a cada um que aqui entrou, comentou ou leu (principalmente), muito obrigada. Cada um dos comentários deixados aqui ou no meu scrapbook, e-mail ou MSN colaboraram em muito para que não deixasse de escrever. Então... Bem, você pode se culpar ou se parabenizar. Eu, ao menos, digo: muito obrigada e rumo ao 2º ano!

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Os filmes da minha vida

Os filmes da minha vida

Gosto de filmes e de ir ao cinema. Gosto de seriados também e embora estes últimos passem na televisão, não venho suportando-a nesses últimos tempos. A não ser, é claro, que esteja passando algum filme ou seriado decente.

Posso falar da minha vida sob diversos aspectos, relacionando-a a, talvez, qualquer coisa — esportes, manias, cores, comida, amigos, lugares. Dessa vez, escolhi os filmes para traçar um paralelo.

Costumávamos (meus amigos e eu) nos encontrar depois da escola (sempre às duas da tarde) em algum lugar (geralmente minha casa ou a casa dos gêmeos) para fazer alguma coisa (sempre assistir alguma coisa, melhor dizendo). Compartilhamos muitos momentos desses nos quais escolhíamos filmes bizarros ou não, fazíamos pipoca, comprávamos refrigerante e nos apertávamos no sofá em frente à tevê. Depois, às vezes, tinha brigadeiro que comíamos no prato, espalhados na varanda.

Era comum assistirmos filmes com ‘temas adultos’, como dizem. Ríamos sem fim e no dia seguinte espalhávamos as piadas aos sussurros para outros colegas. Talvez os mais comentados tenham sido “Tudo para ficar com ele” (assistido a exaustão) e “O Diário de Bridget Jones” (que também é um livro maravilhoso e cheio de piadas para serem espalhadas aos sussurros).

Não sei, mas devíamos ter algum estilo para ver filmes, pois não me lembro de ter, mesmo na época, achado a menor graça em, por exemplo, American Pie — talvez porque esse tenha sido um filme feito para adolescente achar graça. Sim, víamos filmes adolescentes mas acho, pelo menos era meu caso, que depois de termos visto tantos de ‘tema adulto’, os teens se tornaram bobos e sem graça. Desta classe um dos poucos que salvam é “Meninas Malvadas”.

Que minha mãe não venha a ler isto, mas já cheguei a quase matar aula ¹ do curso de Espanhol apenas pelo prazer de ver filme e beber refrigerante. Este era “O Massacre da Serra Elétrica” (a nova versão). Toda hora dizia: “Vou embora!”, mas meus olhos não desgrudavam da tela e eu não conseguia me levantar do sofá. Isso era um problema freqüente. Acho que nesse dia só assisti aos 10 minutos finais daquela aula, “Com licença, professora, eu sei que estou um pouco atrasada, mas tive que fazer um trabalho, fiquei até tarde em Friburgo, enfim... Perdi alguma coisa importante?”. Posso ser uma boa atriz e bem convincente (lê-se “cara de pau”), quando quero.

Não se pode duvidar que “a arte imita a vida” mas, sem dúvida, a vida também imita a arte e dessa eterna imitação não se sabe se há um original. Fumar pós sexo é uma cena clássica — de onde isso foi tirado? Beijar na chuva e, depois do Homem Aranha, beijar de cabeça pra baixo debaixo da chuva (deve ser ruim para quem fica com as narinas expostas à água, mas tudo bem), dançar na chuva, cantar na chuva, cantar “I love you, baby...” nas arquibancadas, imaginar a própria vida em um musical, rezar para um dia topar com um cego que te convide a dançar tango, imitar o John Travolta dançando, sair correndo por uma rua cheia de noivas atrás, ou sair correndo pelo Louvre, abrir o sobretudo e exibir as várias armas juntas ao corpo, lançar frases de impacto, etc. Uma coisa é fato: todos querem fazer parte de alguma cena.


Rebecca Albino
28/nov/2007


¹ quase matar aula pode ser estranho, mas é o seguinte: chegar muito atrasada (o) em algum lugar e culpar, sei lá, o trânsito, a sua mãe, o despertador que não tocou, etc. Funciona muito se você for a(o) queridinha(o) da(o) professor(a) ou o (a) Nerd da turma. Era meu caso.

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