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Os filmes da minha vida

Os filmes da minha vida

Gosto de filmes e de ir ao cinema. Gosto de seriados também e embora estes últimos passem na televisão, não venho suportando-a nesses últimos tempos. A não ser, é claro, que esteja passando algum filme ou seriado decente.

Posso falar da minha vida sob diversos aspectos, relacionando-a a, talvez, qualquer coisa — esportes, manias, cores, comida, amigos, lugares. Dessa vez, escolhi os filmes para traçar um paralelo.

Costumávamos (meus amigos e eu) nos encontrar depois da escola (sempre às duas da tarde) em algum lugar (geralmente minha casa ou a casa dos gêmeos) para fazer alguma coisa (sempre assistir alguma coisa, melhor dizendo). Compartilhamos muitos momentos desses nos quais escolhíamos filmes bizarros ou não, fazíamos pipoca, comprávamos refrigerante e nos apertávamos no sofá em frente à tevê. Depois, às vezes, tinha brigadeiro que comíamos no prato, espalhados na varanda.

Era comum assistirmos filmes com ‘temas adultos’, como dizem. Ríamos sem fim e no dia seguinte espalhávamos as piadas aos sussurros para outros colegas. Talvez os mais comentados tenham sido “Tudo para ficar com ele” (assistido a exaustão) e “O Diário de Bridget Jones” (que também é um livro maravilhoso e cheio de piadas para serem espalhadas aos sussurros).

Não sei, mas devíamos ter algum estilo para ver filmes, pois não me lembro de ter, mesmo na época, achado a menor graça em, por exemplo, American Pie — talvez porque esse tenha sido um filme feito para adolescente achar graça. Sim, víamos filmes adolescentes mas acho, pelo menos era meu caso, que depois de termos visto tantos de ‘tema adulto’, os teens se tornaram bobos e sem graça. Desta classe um dos poucos que salvam é “Meninas Malvadas”.

Que minha mãe não venha a ler isto, mas já cheguei a quase matar aula ¹ do curso de Espanhol apenas pelo prazer de ver filme e beber refrigerante. Este era “O Massacre da Serra Elétrica” (a nova versão). Toda hora dizia: “Vou embora!”, mas meus olhos não desgrudavam da tela e eu não conseguia me levantar do sofá. Isso era um problema freqüente. Acho que nesse dia só assisti aos 10 minutos finais daquela aula, “Com licença, professora, eu sei que estou um pouco atrasada, mas tive que fazer um trabalho, fiquei até tarde em Friburgo, enfim... Perdi alguma coisa importante?”. Posso ser uma boa atriz e bem convincente (lê-se “cara de pau”), quando quero.

Não se pode duvidar que “a arte imita a vida” mas, sem dúvida, a vida também imita a arte e dessa eterna imitação não se sabe se há um original. Fumar pós sexo é uma cena clássica — de onde isso foi tirado? Beijar na chuva e, depois do Homem Aranha, beijar de cabeça pra baixo debaixo da chuva (deve ser ruim para quem fica com as narinas expostas à água, mas tudo bem), dançar na chuva, cantar na chuva, cantar “I love you, baby...” nas arquibancadas, imaginar a própria vida em um musical, rezar para um dia topar com um cego que te convide a dançar tango, imitar o John Travolta dançando, sair correndo por uma rua cheia de noivas atrás, ou sair correndo pelo Louvre, abrir o sobretudo e exibir as várias armas juntas ao corpo, lançar frases de impacto, etc. Uma coisa é fato: todos querem fazer parte de alguma cena.


Rebecca Albino
28/nov/2007


¹ quase matar aula pode ser estranho, mas é o seguinte: chegar muito atrasada (o) em algum lugar e culpar, sei lá, o trânsito, a sua mãe, o despertador que não tocou, etc. Funciona muito se você for a(o) queridinha(o) da(o) professor(a) ou o (a) Nerd da turma. Era meu caso.

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A Lagoa Azul

— Sabe o filme que vai passar hoje na Sessão da Tarde?

— Anh?

— A Lagoa Azul!

— Não!

— Éééé!

Mais tarde:

— Ai, esse filme? Tá falando sério? — pergunta, meio surpresa e indignada — Cara, eu já vi o primeiro, o segundo, o terceiro...

— Nããão, menina, só tem dois: A Lagoa Azul e De volta a Lagoa Azul.

— É, esse aí é A Lagoa Azul.

— Não, esse é De Volta a Lagoa Azul!

— Qual é o primeiro?

— A Lagoa Azul, né?

— Sabe, eu nunca vi direito...

— Você só pode tá brincando...

— É sério!

— São as mesmas crianças?

— São!

— Nãão! Tu cheirou, foi? Eles crescem, descobrem o amor, tem outro filho... Na continuação eles voltam a ser crianças, sei lá?

— Ué...

— Não, não... No primeiro eles vivem lá com a mãe, não é isso?

— E ela morre...

— Eles são incestos?

— São. Não. São. Ah, sei lá!

— Eles não eram filhos da mesma mulher?

— Nããão! Eles foram criados juntos, mas depois... sei lá, parece que um deles era adotado. Acho que era o menino! O filme não ia mostrar os dois descobrindo o amor, se fossem irmãos! Não é Manoel Carlos, nem nada!

— De onde tu tirou essa idéia de “descobrir o amor”, ô Nerd?

— O comercial sempre fala isso...

— E eles têm um filho?

— Que nada com eles no final...

— Não tô entendendo mais nada...

— No primeiro, eles são filhos de uma mulher que morre. No segundo eles foram parar lá por causa de um barco que afundou, e tinha um velho com eles...

— Isso! Eu lembro de uma cena, o velho estirado no chão...

— Foi quando ele morreu.

— Porque ele morreu?

— Acho que tinha ido arranjar comida...

— E aquela cena em que a menina come alguma coisa e tiram da mão dela?

— Devia ser alguma coisa envenenada...

— E a cena dele pescando?

— Deve ser do primeiro!

— Ele deve ter pescado muito no segundo também.

— A história é praticamente a mesma, né?

— Por aí...

— Eles param nesse lugar...

— Crescem...

— Descobrem o amor...

— Têm um filho...

— Nadam com ele...

— Eles morrem?

Pensa um pouco antes de responder:

— Sei lá! Mas acho que uma hora... Bem, fica subentendido.

— E o filho deles? Nunca vai descobrir o amor?

— Que idéia, cara!

— Ué, ele vai viver sozinho?!

— No meio do mato?

— Credo!

De repente a televisão é desligada.

— Ué, como assim?

— E o filme?

— Hora da aula! Sobe, sobe, sobe! — mandou uma voz zangada.

Rebecca Albino
22/abr/2007

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Manda matá!

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