Dos 18.

Dos 18.

Desde que criei este blog, venho postando quase que religiosamente todos os meses. Em alguns, posto logo nos primeiros dias; em outros, posto no limite do meu tempo, quase levando um tombo no pequeno espaço entre um mês e outro. O que me incomoda é o fato de não ter nenhum texto no mês de Julho. Então, numa noite calorenta dessas, enquanto fitava o teto do meu quarto, esbocei um texto na minha mente e dormi.

Em Julho aconteceram eventos importantes, o que me surpreende (adoro essa palavra, adoro a repetição da letra “e” nela, mas enfim...) ainda mais o fato de não ter escrito uma única linha. Por exemplo, tive férias em Julho! Nos últimos dias que antecedem o término das aulas, costumava entrar no segundo tempo e depois só ia lá marcar um X na letra “a” ou “d”, algumas “c” e outras, mas poucas vezes, na “b”.¹

Também foi em Julho (05/07, meu aniversário) a Season Finale da sétima temporada de C.S.I. pela TV a Cabo no Brasil — eu assisto com paridade pela CBS, baixando os episódios pela Internet. Mas isso é feio, muito feio! Reparou que todas as pessoas públicas só viram Tropa de Elite quando estreou no cinema? Fascinante essas pessoas!

E, claro, como deixei escapar acima, foi meu aniversário! Não vou dizer “finalmente, 18 anos” porque não vejo “finalmente” nenhum, não foi algo que eu esperava ansiosamente. E acho que, de certa forma, poucas pessoas hoje em dia esperam, imagino até que algumas queiram evitar a inevitável chegada dos 18.

A maioria das coisas que, teoricamente, só podem ser feitas aos 18 anos, geralmente é feita bem antes, o que corta qualquer ansiedade e sensação de “liberdade” que “os 18 anos” costumava oferecer, exemplo: beber e comprar bebidas; fumar e comprar cigarros; ir para boates; viajar sozinho; dirigir; namoro e sexo, etc.

[O “crescer” se perdeu, salvo apenas por alguns. As crianças e jovens em geral se atiram na busca da vida adulta rápido demais, não há mais tanta evolução; há mais um conjunto de fórmulas prontas que seguem cegamente, crendo que é gente. Já outros jovens são atirados na vida adulta precocemente, por diversos motivos.

Algumas meninas e alguns meninos não têm mais a aparência de serem meninas e meninos. Eles envelhecem, murcham ou se exibem excessivamente, se oferecendo sem nem saber que está e quando se dá conta, se é que se dão conta, já é muito tarde e não tem mais como voltar atrás. Perdeu-se.]

A parte mais comum de todos os aniversários é quando as pessoas te cumprimentam, “parabéns” pra lá, “feliz aniversário” para cá e por aí vai. Nos 18 anos a coisa é um pouco diferente. Parece que todos dizem a mesma coisa:

— Ihh, agora pode ser presa, hein!

— Eu tenho cara de trombadinha, por acaso?

É uma resposta meio mal humorada, eu sei, mas se você parar para pensar não faz sentido nenhum alguém te alertar sobre sistemas penitenciários, a não ser que sejas um pivete. Sem dizer que todo mundo dizendo a mesma coisa é um saco. Será que não têm outra piadinha mais infame?

Quem vos fala faz parte do grupo de precoces que fizeram a maior parte das coisas teoricamente proibidas para menores ainda sendo menor: já dirigi, já bebi e sempre tive Orkut. Pouca coisa mudou desde que fiz 18 — a não ser que agora posso falar: “quer ver minha identidade?” quando olham, desconfiados, para minha cara de criança quando quero comprar algo. Cresci numa casa onde ainda se diz que sem dinheiro próprio, não há liberdade. E com dinheiro próprio, mas ainda morando com mãe, também não há liberdade. Como estou dentro dessas condições, logo não tenho liberdade.


Rebecca Albino

05/01/2008


¹ N.A.: marcar “b” é elegante, “c” sempre parece a certa, quase ninguém coloca a resposta certa na “a” para não parece repentino demais e a “d” é atraente, pois o professor fez você ler aquilo tudo para a resposta estar lá no final. Não é a toa que eu faço prova de trás pra frente — a não ser pelo cabeçalho, claro.

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Então é Natal...

Então é Natal...

É desnecessário falar que o Natal é umas das festas mais importantes para a humanidade (ou grande parte dela). Afinal, é o dia em encontramos com a família e/ou amigos, temos a ceia (ou não), nos divertimos (ou não), alguns ganham presentes, outros vão à Missa; uns sabem que é uma festa cristã e é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo, outros não. A introdução foi desnecessária, mas, entenda, eu preciso encher isso aqui com linhas escritas.

É impossível ser cem por cento “anti-natal”, pois se você parar para pensar não há como fugir e se tentar, passará a ser considerado a escória da sociedade (como assim alguém não deseja, mesmo entre os dentes, um “feliz natal”?). É fato, minha gente! Não há como ignorar o clima que os papai noéis, gorros vermelhos e músicas bonitinhas trazem. É uma data tão importante que até o Guanabara fecha durante todo o dia do feriado!¹

É a época dos especiais na televisão (momento: minha televisão permaneceu desligada demais ou não passou “Esqueceram de mim” ou “Esqueceram de mim: perdido em Nova York”?! Deus, é um clássico!) e das mensagens de impacto. Jornais e programas mostram crianças recebendo presente de pessoas, famosas ou não, felizes da vida. É a época do bom velhinho de shopping, tirando fotos caríssimas com meninos e meninas no colo. É tempo também de amigo oculto e confraternização com pessoas que durante todo o ano lhe é totalmente indiferente. Mas sabe como é esse clima natalino, né?

Ô épocazinha estressante também!

Se criança carente pede dinheiro durante todo o ano, imagina nessa época? Sendo que agora todo mundo fica de coração partido se não der pelo menos um real.

O trânsito fica mais infernal do que o costume, todos querem ir para o mesmo lugar.

Os ônibus ficam lotados de gente e bolsas enormes.

Praça de alimentação é uma massa de cabeças e só isso.

A loja tem que ser MUITO cara para estar transitável. Depois reclamam de falta de dinheiro!

Criança esperneando.

Presente de amigo oculto até R$ 10, neutro. Eu, pelo menos, defendo a idéia de que não existe presente neutro, ainda mais custando R$ 10.

No mercado as pessoas se reproduzem, e você sempre se esquece de comprar alguma coisa, o que gera a necessidade de voltar lá e enfrentar tudo de novo. Sério, todas as vezes que acontece isso comigo (não são poucas), eu vejo novas pessoas e o lugar está sempre lotado. SEMPRE.

É impressão minha ou há uma quantidade fora do normal de pessoas meio... doidas, por assim dizer, andando pelas ruas nessa época?

Gente + verão + liquidação. Desnecessário falar o resultado.

Fora qualquer coisa e, mesmo estando um pouco atrasada, FELIZ NATAL!

_____________________________
¹ Guanaraba é um super-mercado que nunca fecha! Sim, é exagero, mas só vi respeito total a dois feriados: Dia do Comércio e o Natal. Costumo falar que, se nada der certo, além de escritora, vou abrir uma filial do Guanabara.

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Os filmes da minha vida

Os filmes da minha vida

Gosto de filmes e de ir ao cinema. Gosto de seriados também e embora estes últimos passem na televisão, não venho suportando-a nesses últimos tempos. A não ser, é claro, que esteja passando algum filme ou seriado decente.

Posso falar da minha vida sob diversos aspectos, relacionando-a a, talvez, qualquer coisa — esportes, manias, cores, comida, amigos, lugares. Dessa vez, escolhi os filmes para traçar um paralelo.

Costumávamos (meus amigos e eu) nos encontrar depois da escola (sempre às duas da tarde) em algum lugar (geralmente minha casa ou a casa dos gêmeos) para fazer alguma coisa (sempre assistir alguma coisa, melhor dizendo). Compartilhamos muitos momentos desses nos quais escolhíamos filmes bizarros ou não, fazíamos pipoca, comprávamos refrigerante e nos apertávamos no sofá em frente à tevê. Depois, às vezes, tinha brigadeiro que comíamos no prato, espalhados na varanda.

Era comum assistirmos filmes com ‘temas adultos’, como dizem. Ríamos sem fim e no dia seguinte espalhávamos as piadas aos sussurros para outros colegas. Talvez os mais comentados tenham sido “Tudo para ficar com ele” (assistido a exaustão) e “O Diário de Bridget Jones” (que também é um livro maravilhoso e cheio de piadas para serem espalhadas aos sussurros).

Não sei, mas devíamos ter algum estilo para ver filmes, pois não me lembro de ter, mesmo na época, achado a menor graça em, por exemplo, American Pie — talvez porque esse tenha sido um filme feito para adolescente achar graça. Sim, víamos filmes adolescentes mas acho, pelo menos era meu caso, que depois de termos visto tantos de ‘tema adulto’, os teens se tornaram bobos e sem graça. Desta classe um dos poucos que salvam é “Meninas Malvadas”.

Que minha mãe não venha a ler isto, mas já cheguei a quase matar aula ¹ do curso de Espanhol apenas pelo prazer de ver filme e beber refrigerante. Este era “O Massacre da Serra Elétrica” (a nova versão). Toda hora dizia: “Vou embora!”, mas meus olhos não desgrudavam da tela e eu não conseguia me levantar do sofá. Isso era um problema freqüente. Acho que nesse dia só assisti aos 10 minutos finais daquela aula, “Com licença, professora, eu sei que estou um pouco atrasada, mas tive que fazer um trabalho, fiquei até tarde em Friburgo, enfim... Perdi alguma coisa importante?”. Posso ser uma boa atriz e bem convincente (lê-se “cara de pau”), quando quero.

Não se pode duvidar que “a arte imita a vida” mas, sem dúvida, a vida também imita a arte e dessa eterna imitação não se sabe se há um original. Fumar pós sexo é uma cena clássica — de onde isso foi tirado? Beijar na chuva e, depois do Homem Aranha, beijar de cabeça pra baixo debaixo da chuva (deve ser ruim para quem fica com as narinas expostas à água, mas tudo bem), dançar na chuva, cantar na chuva, cantar “I love you, baby...” nas arquibancadas, imaginar a própria vida em um musical, rezar para um dia topar com um cego que te convide a dançar tango, imitar o John Travolta dançando, sair correndo por uma rua cheia de noivas atrás, ou sair correndo pelo Louvre, abrir o sobretudo e exibir as várias armas juntas ao corpo, lançar frases de impacto, etc. Uma coisa é fato: todos querem fazer parte de alguma cena.


Rebecca Albino
28/nov/2007


¹ quase matar aula pode ser estranho, mas é o seguinte: chegar muito atrasada (o) em algum lugar e culpar, sei lá, o trânsito, a sua mãe, o despertador que não tocou, etc. Funciona muito se você for a(o) queridinha(o) da(o) professor(a) ou o (a) Nerd da turma. Era meu caso.

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Coisa que não é legal

Ser deixado esperando não é legal, pois se você está esperando é porque alguém marcou algo contigo e, aparentemente, não levou a sério. Digo “aparentemente” porque, lá no fundo, você espera que a pessoa em questão apareça com a melhor das desculpas, algo do tipo “Foi mal, cara, no caminho eu vi um orfanato pegando fogo e resolvi ficar para ajudar as criancinhas.” Daí o sujeito faz uma cara angelical e completa com “Você não ficou chateada, ficou?”. Sim, porque desculpas do tipo “Peguei um engarrafamento do cão na Presidente Vargas!” não rola mais. E o engraçado é que, geralmente, você sabe por que a pessoa se atrasou, mas engole qualquer desculpa do mesmo jeito! Você sabe que ele/ela dormiu mais do que deveria, não se organizou, marcou mais coisas do que deveria ou que se esqueceu. Mas até a desculpa ser dada pela persona que te deixou esperando, parece que tudo acontece.

Eu, por exemplo, já cheguei à conclusão de que cheiro a Gadernal e, por isso, todos usuários do mesmo parecem se atrair à minha pessoa. De toda uma pequena população de rodoviária, são eles que sentam ao meu lado, naquele banquinho de plástico que lembra consultórios médicos populares (ou mal decorados), são eles que vão me pedir informação, são eles que olham para mim, são eles que resolvem me contar a vida inteira, enfim...!

Mas o fato são as pessoas que não se tocam. Quando espero alguém, geralmente espero com um livro ou com o mp3 (dependendo de onde estiver) e tais pessoas parecem ignorar isso. Exemplo: você está lá, lendo seu livro na maior concentração, sem quase piscar e a pessoa ao lado não pára de falar. Você revira os olhos, respira, conta até dez, mas nada resolve. Pior é o mp3, pois o fruto da natureza parece ser cego aos fones no seu ouvido, ou surdo em relação ao ruído da música e começa a dissertar sobre a mãe doente, sobre a falta de emprego, sobre como as pessoas são ruins nos dias de hoje, sobre a manchete do jornal... E tudo que passa na sua cabeça é a maneira como você irá matar a pessoa que te deixou nessa situação.

Sobre o exemplo do livro: algumas pessoas, não satisfeitas de acabar com sua leitura, chegam ao cúmulo de te fazer perguntas sobre o livro: “Que livro que você está lendo?” (você mostra a capa, afinal quer dar o mínimo de papo possível), “É grosso, hein. Você consegue ler isso tudo?” (não, eu carrego por aí de sacangem, sabe?, é a resposta que dá vontade de falar), “É bom?” (é a pergunta favorita!), “Fala sobre o quê?” (essa me mata, não pela pergunta, mas porque eu detesto sinopses e, sendo totalmente off-topic, isso é papo para outro post). Sabe o que essas perguntas significam? Que a pessoa está disposta a testar sua paciência.

Quando finalmente há desistência de se ler ou ouvir música da sua parte, apenas lhe resta cruzar os braços, observar e esperar mais um pouco. Em um canto você nota uma mulher gritando ao celular, desesperada por causa da filha, uma cópia perfeita da Helena de “Laços de Família”, e ela também espera, depois de tanto berrar; todas as crianças da cidade resolvem aparecer pedindo a um ou outro para comprar o doce que carregam, cheios de charme. Curioso é que elas não pedem para a garota com espinhas e blusa do colégio estadual; por esta passam direto, e eu agradeço por isso. E então você adquire um vício momentâneo para passar o tempo; o meu é, geralmente, uma bala de hortelã, que compro na banca de jornal mais próxima.

E mais espera.

Coisas as quais você nunca prestou atenção antes, de repente pulam, exibidas, aos seus olhos; você sorri e pensa: “tenho que escrever sobre isso”. As ruas, os detalhes do chão, de um monumento, de um ponto turístico... Todos, a essa altura, já estão marcadas na sua mente e talvez, um dia, você conte isso à alguém.

As pessoas que você observou, que estão na sua mesma situação, vão indo e outras vão chegando... E lá tu permaneces. O moço da banca de jornal tira onda da sua cara: “Ainda aí? Não é melhor fumar um cigarro, não?”. É aí que você sabe que o mundo acabou. Mil pensamentos de “se não chegar em 10 minutos, eu vou embora” são debatidos pelos outros mil que dizem “se já estou aqui há tanto tempo, vou ficar até o fim”.

E você fica até o fim.

Rebecca Albino
13/out/07


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Protesto!

Protesto!

Há não muito tempo vem se falando sobre a reforma gramatical que, no Brasil, está prevista para entrar em vigor no próximo ano. Alguns motivos para tal reforma é o de padronizar o idioma nos países onde é falado. Mas há um outro que me assustou: o objetivo seria, na realidade, simplificar o idioma para que seja mais fácil para os menos instruídos se expressarem na forma escrita.

Ora! Simplificar a Língua para uma inclusão me parece tão... absurda, tão absurda quanto as cotas para as universidades públicas! Alguns grupos, se lerem esse texto, vão achar que sou a favor da elitização (sempre vista de modo pejorativo), mas não é isso, não! O que não percebemos é que a educação está indo buraco a baixo e que ensino bom é ensino pago, e olhe lá! Ensino de excelência é igual a colégios, cursos e universidades extremamente particulares que apenas uma fatia mínima da população pode pagar.

Vamos por partes:

Quando lançaram o esquema de cotas para universidades públicas, diziam que era para diminuir o preconceito — alguém me diga onde reservar vagas para negros não é preconceito, por favor?

Aliás, essa desculpa é falida: o computador, que conta os acertos, é uma máquina e por isso não guarda rancor (sentimento puramente humano) contra a cor do candidato.

Outro motivo era para dar oportunidades para os estudantes de escolas públicas a ingressarem na faculdade. Esse foi o mais aceito. Erroneamente aceito.

Foi o jeito que deram de compensar a falta de qualidade do ensino público no Brasil, nada mais do que isso. Com a aceitação da maioria, relaxaram quanto ao verdadeiro problema.

Mais recentemente, as cotas se estenderam a filhos de policiais e bombeiros mortos em combate.

Há não muito tempo os professores de escolas municipais entraram em conflito com o município quando impuseram a Aprovação Automática, que consistia em tirar a nota “I” de insuficiente, que reprova o aluno, do sistema, assim como a nota “O” de ótimo.

Então é assim: o aluno ótimo é tão mediano quanto o aluno insuficiente. Imagine: se com a pressão de passar de ano, o nível dos alunos está do jeito que está, imagine sem pressão. Passou, passou. Não passou, passou de qualquer forma.

Foi nesta última segunda-feira (03/09) que o colégio estadual que estudo saiu da greve de duas semanas.

O que queriam era apenas melhoria, coisa que todos querem. E o que receberam foi uma proposta vergonhosa dividida em vários meses.

Conclusão:

Mais uma vez, a educação cai e agora drasticamente. Mudar a Língua para que seja mais fácil?! Que isso, minha gente?! Espero que não seja verdade, espero que sejam opiniões isoladas que eu tive o desprazer de ler.

A Língua, seja ela difícil ou não, é tão bonita e única. Todo mundo diz que o Francês é lindo, será que ele continuaria sendo lindo se tirassem todos os acentos? Será que tirando os acentos, as pessoas escreverão melhor? Se for assim, será que não vale mais a pena acabar com tudo e adotar a linguagem de MSN? Escrever exatamente do jeito que se fala, assim não tem erro. Minto, com certeza haverá erro! E sabe porquê? Haverá erro porque não é a Língua que é difícil, haverá erro porque o jeito como se ensina é errado; haverá erro porque não há incentivo...

Mas o que me impressiona mesmo são os vários problemas que precisam ser reformados, ratificados e simplificados neste país e que não são. É um absurdo e apenas isso. Ao invés de se resolver, se dá um jeito.



Rebecca Albino
08/set/2007

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Complexo de Poodle

Hoje foi dia de cabeleireiro, algo que fiz mais por necessidade do que por qualquer outro motivo.

Eis um lugar que, desde que me conheço, sempre evitei ir. Nada contra os profissionais da área ou quem goste, mas... geralmente eu não tenho sorte mesmo.

A maioria dos traumas, medos, fobias, etc, que uma pessoa tem hoje é culpa de algum evento ocorrido na infância.

Quando era pequena as pessoas olhavam para o meu cabelo e faziam altos discursos sobre a quantidade absurda de cabelo que eu tinha (responsável pelo meu Complexo de Poodle) ou o quanto bonito era e, principalmente, o quão mais bonito ele ficaria se eu cuidasse bem dele (condição: freqüentar o salão de 15 em 15 dias) e desde então sempre estiquei os lábios em um sorriso forçado, afinal eu sabia a verdade sobre o meu cabelo, elas não.

Sem dizer que, por diversas vezes, já sai com a orelha queimada ou com "cascas" na cabeça (devido, também, a queima), bifes arrancados, unhas mal feitas e desprezo com meu horário, por isso se um cabeleireiro(a) te disser que está “quase acabando”, não acredite! É lorota! Algo me diz que na cabeça deles passa a idéia de que não temos mais nada para fazer, então um conselho: marque um horário meia hora ou uma hora antes do seu horário verdadeiro, assim não haverá muita espera (truque não garantido).

Outra coisa que me lembro bem era da moça sempre me oferecer produtos pra isso ou aquilo, produtos que prometiam milagres; talvez um tratamento novo, uma hidratação, massagem... Tudo que eu fazia era dizer "não, obrigada" e quando tudo chegava ao limite eu dizia que minha mãe não ia deixar, mas era desmentida pela a infidelidade da mesma.

Um ponto interessante sobre salões é que eles quase não se diferenciam, por exemplo: sempre tem uma televisão e nessa televisão é provável que se esteja passando o Vale a pena ver de novo, seguido pela Sessão da tarde, mas é possível que haja uma variação para programas de fofoca. Aliás, a fofoca! Alguns salões são movidos a ela. Certa vez presenciei uma cena feia de uma criatura feia cochichando sobre alguma coisa com a cabeleireira que estava cortando o meu cabelo, não sei sobre o que era até hoje e não me importo, sabia que era sobre mim, fiquei fitando-a e quando ela me viu, ficou vermelha.

Já reparou que sempre tem um(a) que te chama de "amor" ou "querida"? Eu, hein.

Hoje o meu horário foi ultrapassado por causa de uma moça cujo cabelo era a única coisa que salvava (autora sob influência do veneno que rola dentro dos salões) e também por causa do cabeleireiro que era extremamente lento. Simpático, mas lento. Quando estava quase desistindo, ele pediu para uma moça lavar meu cabelo. Ela lavou, passou condicionador, passou toalha e me deixou despenteada esperando, esperando, esperando... Chegou um momento que eu parecia uma louca de toalha nos ombros, cabelo despenteado e secando, tudo para aumentar meu Complexo de Poodle.

Depois de algumas tesouradas e cachos no chão, o homem cismou em ficar amassando meu cabelo enquanto ficava vendo, boquiaberto, o filme que passava. Se muito não me engano, era "O Hóspede quer bananas" ou algo que o valha, de certo era algum filme com macacos e, consequentemente, com bananas. E depois ele pegou o espelho e colocou atrás de mim. "Está bom? Está bom?" perguntava. A verdade é que eu mal vejo, sempre balanço a cabeça e espero alguém tirar aquele troço sufocante do meu pescoço.

A ironia é que as coisas mais revolucionárias que já fiz foi em relação a cabelo, como quando eu cortei meu próprio cabelo ou quando eu cortei curto e pintei de vermelho, etc.

Vai entender...

Rebecca Albino
03/ago/2007

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O que tem a maçã haver com o amor?!

O que tem a maçã haver com o amor?


Nunca fui fã da maçã do amor e não lembro de ter comido muitas durante minha vida, tudo bem que ela não é tão longa, mas ainda é vida.

Onde eu morava era muito comum, em festas regionais, ver barracas vendendo maçãs do amor, e elas só me chamavam a atenção pelo aspecto: a maçã, coberta por uma grossa camada de calda vermelha, espetada por um longo palito, sempre melada e com um plástico que a protegia.

Não, não era meu tipo.

Quando ia no lixo jogar alguma coisa fora (geralmente alguma latinha de refrigerante) sempre podia-se encontrar alguma maçã mordida lá dentro. Balançava a cabeça ao ver aquilo, mas a presença dela no fundo de uma lata de lixo não me surpreendia. Não mesmo. Dois pontos:

Primeiro de tudo: aquela calda é dura, e há algumas de camadas demasiadamente grossas, bom pra quem gosta de açúcar e tenha dentes fortes.

Segundo: depois de horas lambendo aquilo, além da boca ficar suja e grudenta, acaba enjoando.

E logo em seguida, a verdade: a maçã nunca é boa, nunquinha. Elas acabam ficando murchas, sem vida, sem graça, nem a casca é lá tão boa. Você acaba se perguntando por quanto tempo aquilo ficou lá pra vender, quem fez, quem deixou de fazer. Pena que a pergunta foi feita depois de ter dado a mordida. O que resta é jogá-la fora.

Não sei quanto a essa nova linha de maçãs-de-amor cobertas de chocolate, algumas com granulado colorido.

Por um lado acredito que deva ser melhor, o chocolate não é tão duro, e ninguém deve abusar das grossas camadas. Por outro lado, tem a questão da qualidade do chocolate. Convenhamos, não deve ser nenhum digno de ovo de páscoa, certo? Não, o capitalismo não permitira. E no mais, ainda tem a maçã. Imagino que ainda não tenha melhorado.

O que me faz pensar em outro motivo para elas acabarem indo parar em latas de lixo: a maçã é, na realidade, apenas um suporte para a calda. Alguém que é viciado em açúcar com corante ou em chocolate e que não gosta da maçã, come a cobertura e a manda pro lixo. Acontece.

E isso nos leva às uvas e aos morangos com coberturas de chocolate (ou com a calda vermelha) que são bons, e que devem ter surgido a partir de uma revolta de alguém que gostaria de comer a fruta favorita em uma festa regional coberta de chocolate. A minha preferida é a uva.

Aliás, o que tem a maçã haver com o amor? Isso é papo para outro post! Palpites: comentários, e-mails ou scraps para a autora.

Rebecca Albino
02/jun/2007

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